Se você já recebeu algum áudio meu, é bem possível que já tenha ouvido meus gatos miando. Quase sempre que eu começo a falar pra mandar alguma mensagem ou participar de uma videochamada eles respondem, não sei se achando que estou falando com eles ou o contrário, para chamarem atenção ao ver que estou falando com outra pessoa. O negócio é que eles são muito vocais.
Não lembro quando percebi que eles eram mais falantes que os de muitos amigos meus, que também vivem com seus gatos. Assim como não sei bem quando comecei a pensar que lá em casa a gente também gritava um pouco mais que o normal. Desde que eu tinha uns 10 anos passei a ter pai e mãe em casa a maior parte do tempo, porque era em casa mesmo que funcionava o negócio que eles fizeram, depois que meu pai saiu da firma em que trabalhava, num plano de demissão voluntária daqueles que aconteciam quando a indústria não estava tão bem. Aí ficou comum acordar de manhã com o som de um chamando o outro, com alguma discussão sobre trabalho ou o que fosse. Hoje em dia é comum eu acordar com chamados dos gatos, antes do despertador tocar.
Tem uma expressão corrente pra se referir a alguém irresponsável, dizer que “Fulano não mantém uma planta viva”, implicando que se a pessoa não é capaz de sustentar uma planta num vaso por muito tempo, não teria a menor condição de cuidar de um animal, quanto mais da família. Tenho uma certa desconfiança com a lógica disso, porque tenho aqui meus gatos já há mais de década e certamente nunca mantive nenhuma planta viva por tanto tempo. Acho que, pra mim, cuidar de planta é muito mais difícil.
Porque os gatos — ainda mais os meus — quanto tem algum problema eles avisam. Se estão com fome, eles chamam e me levam até o pote de comida. Se precisa trocar a areia, eles dão seu jeito de avisar. Se estou sendo muito ausente, eles me cobram gritando. E as minhas plantas não gritam.
Vez ou outra eu mudo um vaso de lugar por perceber que sol demais ou sol de menos está prejudicando alguém. Já procurei por aí qual a melhor frequência de rega para cada tipo de folha que tenho aqui. Mas ainda fico muito longe de ser um jardineiro minimamente confiante.
Tem essa tirinha que eu escrevi há algum tempo, naquela época que a gente não podia sair de casa, em que desenho ensinamentos dos bichos e das plantas. Mas aí foco em coisas muito práticas, se alongar e se hidratar (coisas a que eu, inclusive, devia me atentar mais). Não me dei conta que, cada um a seu modo, os gatos e as plantas também tentam me ensinar diariamente a importância de estar em contato, de se preocupar em saber como o outro está, até mesmo de exigir alguma dose de atenção de vez em quando e de entender quando se é exigido. Uma hora eu aprendo.





Adorei a tirinha!